EU SÓ QUERIA SABER A VERDADE !
A TRANSMISSÂO DE PENSAMENTOCronica nº.83 de www.engenhocando.blog.com
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24 de Fevereiro de 2008
Nota: Hoje acordei a pensar no pai da minha amiga Ana Ramon Navarro, que já nos confessou ser filha de artistas de circo. Ela já é muito conhecido deste blog de Lima Coelho e é uma pessoa interessantíssima. Eu lhe dedico esta crónica, com imensa amizade.”
Estávamos em 1952, com 27 anos, e estava prestes a, finalmente, saber se era realmente verdade ou mentira, a “transmissão de pensamento”, coisa que muito me amargurava não entender.
Nenhum dos meus amigos acreditava, mas estávamos em Benavente, para assistir a um espectáculo no enorme cinema do Luiz Lopes, com o ilusionista Max.
Pois se eu até já tinha tido o “desplante” de ir falar pessoalmente com sua Exª. O Consul americano a pedir-lhe emprego na RARET, passar por cima daquelas centenas de pessoas da assistência e ir falar com um “mágico”, não me custava mesmo nada.
Era só mais uma das milhares de experiências que vinha fazendo desde garoto.
A sala estava completamente cheia e eu estava ao lado dos meus amigos Murilo Lopes e José Pedrosa, que nunca acreditaram naquilo, quando, antes de começar o espectáculo, eu saí do pé deles, e fui ver o “mágico homem” ao seu camarim, em pessoa. Ele era “uma torre”, com talvez 2 metros de altura…ou pouco menos…
Era agora ou nunca mais…Alguma vez eu iria perder aquela oportunidade ?
Ele estava de costas, ajeitando a sua gravata e impecavelmente brilhante no seu fraque negro.
Lá me enchi de coragem e bati-lhe à porta do camarim, e pedi-lhe que gostava de saber realmente, toda a verdade do seu poder, a transmissão de pensamento, o hipnotismo.
Ele, mesmo de costas, me perguntou: Você sofre do coração ?
Eu, naquela altura, estava com certas arritmias, pesava quanto muito 60 Kg., tinha estado 5 anos num sanatório entre a vida e a morte, e um tanto contrafeito ou envergonhado, disse-lhe isso, e ele, muito lentamente, deu meia volta e fitou-me com aquele olhar de vidro, azul transparente, mesmo nos meus olhos, ali a uns 3 metros de mim. Até me pareceu que conseguia ver o seu cérebro, através dos olhos…
Senti de imediato que algo de muito estranho me tinha invadido e até me senti completamente desequilibrado, talvez levitando, quase caindo, quando ele deu meia volta, e logo voltei a mim…tentando encontrar o equilíbrio físico perdido…
Que coisa tão estranha aquela ! Que diabo me teria acontecido ? Que sensação mais estranha eu havia sentido naquele simples olhar ! Como seria aquilo possível? Como seria possível um ser humano, possuir tamanha energia ?
Então ele, com muita calma, na sua voz grave, me disse: “Eu não o vou hipnotizar, mas gostava que colaborasse comigo, quando eu o chamar. Esteja aqui por perto.”
Eu estava em brasa, a minutos de saber em que o poderia ajudar e assim, fiquei ali perto do palco, a observar o que ele fazia.
Os meus amigos logo se levantaram , bem como mais uns 5 ou 6, ao ouvirem o convite do Sr. Max, para que subissem ao palco, pondo-os todos em fila.
A maioria deles, até estava um tanto contrafeita e inquieta…talvez envergonhada…
Começou então por uma ponta, em frente a cada um, passando-lhe a mão direita pela frente dos seus olhos e seleccionando aqueles que ele sentia iriam ser facilmente hipnotizados, e logo vi que os meus dois amigos, que estavam mesmo na negativa, foram logo eliminados e voltaram a ir-se assentar na plateia. Como eles, graças a Deus, ainda são vivos, talvez já nem se lembrem destes factos…
Ficaram uns 3 ou 4, pessoas bem conhecidas na terra, rapazes mais ou menos da minha idade, e que fizeram os mais incríveis disparates que se podem imaginar, um a um, como andar de gatas, outros aos gritos a chamar os bombeiros, porque estavam a arder, outros que até ladravam miavam e uivavam, outro se descalsou, perante a grande risada de toda a assistência…Aquilo era incrível !
Eles NUNCA fariam aqueles disparates, se estivessem no seu juízo perfeito…nem muito menos em público…
Até que finalmente, e sem me olhar directamente, o Sr. Max me entregou uns panos pretos e um pau de giz, dizendo-me para lhe vedar completamente a visão.
Eu tentei ver alguma luz através dos panos, tapando a minha vista, mas eles eram completamente opacos.
Enrolei e amarrei na sua cabeça o primeiro e comprido pano, e depois um maior, só lhe deixando a boca de fora, mas tudo feito pelas suas costas. Era impossível que ele visse alguma coisa através daqueles panos…
Depois disse-me para eu desenhar uma linha no chão, com o giz, e, por malandrice, em vez de uma linha recta, eu fiz uma espécie de grande ponto de interrogação, com mais de um metro.
Depois disse-me para colocar vários objectos que tivesse à mão, em vários pontos do risco, e assim lá coloquei o meu relógio de pulso, um isqueiro, uma caneta, etc.
Eu estava perfeitamente lúcido ao fazer aquele trabalho, até que ele me disse: “Coloque-me no inicio da linha”, o que fiz agarrando-o pelos ombros, “e, quando desejar que eu comece, pense somente no que é que eu devo fazer”, para seguir o “malvado” risco todo torto e pensar que ele teria de parar, antes de esmigalhar os objectos que eu lá tinha colocado. Mas eu estava plenamente confiante…
A sala estava toda em burburinho, quando ele grita ” SILÊNNNNNCIO e acrescentou, Concentre-se …”.
Na realidade, eu estava completamente à vontade, como qualquer outro espectador e nem sabia o que teria de fazer para me concentrar nele, quando ele me volta a gritar: “Conceeeeentre-se…” e aí, eu realmente “tentei desligar-me de tudo o que me rodeava, olhando as costas daquele homenzarrão, e pensei, “Pode arrancar” !
Nesse preciso instante, foi como se eu o tivesse empurrado e ele começou a arrastar os seus enormes pés, enquanto eu parado, ao lado do palco, ia pensando, “mais um pouco à direita”, “em frente”, ” à esquerda” , “pára” , para ele não pizar o meu relógio e pensei: “Tem um relógio a seus pés”.
E ele disse em voz bem alta, “Tenho um relógio aos meus pés”…
De imediato, toda a assistência, que já me conhecia e nem me tinha ouvido falar nem mover a boca, entrou num delirante entusiasmo de palmas e gritaria, o que me fez distrair. Ou seja, “eu havia perdido o seu contacto”. Aí, com ele à espera dos “meus pensamentos”, e depois dum assistente, ter retirado o relógio, eu voltei a fazer um grande esforço para me concentrar e pensei “pode seguir e voltar à direita”, o que ele reproduzia na perfeição, mandando-o parar novamente para não pizar um outro objecto, mas embora a assistência recomeçasse novamente em delírio, eu SENTI que o meu cérebro ainda estava ligado ao dele e lá continuei aquela inimaginável surpresa para mim. ” Aquilo era positivamente interessante e cientificamente maravilhoso !
Quando ele chegou ao fim da linha, eu “pensei” “chegou ao final da linha” e a ele me dirigi para lhe retirar todos aqueles trapos pretos que lhe tinham estado a tapar a visão, mas eu quase nem me conseguia manter em pé…Estava completamente exausto !
Estava como um saco que devia estar cheio e agora estava todo roto…
Que diabo aquele homem teria roubado de dentro de mim ???
Os meus amigos até me disseram, “oh pá, estás branco como a cal da parede..”, e devia estar, pois estava com a sensação desagradável de ter sido esvaziado por completo de qualquer coisa que era muito minha e só minha, sensação que levou uma data de minutos a desaparecer.
Quando me ia a despedir e agradecer a experiência ao Sr.Max, ele, sem me olhar directamente, ainda me disse: “Se o senhor desejar trabalhar comigo, ser-me-ia imensamente útil como médio“, mas eu estava bem empregado e nada interessado em ter de ir fazer vida de saltimbanco…
Uma coisa havia acontecido para toda a minha vida: eu tinha ficado a saber que aquele indivíduo ou outro igual, tinha sobre mim um poder imenso e certamente porque a sua transmissão de pensamento não podia ser melhor e, se ele desejasse, eu faria os maiores disparates em público e em qualquer altura…mesmo que me tivesse de despir e rebolar pelo chão …ladrar, miar, uivar, dar saltos, e cambalhotas, etc.
Aquele seu poder era tal, que eu poderia pegar um documento qualquer duma pessoa da assistência, e indicar-lhe, algarismo a algarismo, o seu número, que ele logo responderia.
Nunca havia pensado que fosse possível aquilo acontecer entre duas pessoas, mas finalmente havia entendido que a “transmissão de pensamento”, se uma pessoa for suficientemente sensível, é plena verdade.
Este “suficientemente sensível” quero referir-me `”frequência de recepção” em que o nosso cérebro funciona, para poder ser “sincronizado” por estas pessoas.
Aquela “MAGIA” era de tal forma evidente, que me viria a marcar para toda a vida,
embora vindo a saber que tem os seus limites, em especial no tocante a coisas muito íntimas, em que uma pessoa se consegue “desligar”, ou “acordar”, felizmente…
E fiquei a pensar naquele poder da mente, aquele “emissor de ondas estranhas” que certas pessoas possuem e conseguem fazer um “scanner” dos “receptores cerebrais” de outras pessoas, descobrindo a “sua frequência” e ao que parece, se sincronizam um com o outro. Os dois cérebros ficam actuando como um só !
Aquilo até me parece coisa de outros mundos, como se de uma pessoa de outro planeta, andasse entre nós, com forças cerebrais incríveis e ainda tão desconhecidas, mas que foi uma experiência inolvidável…foi ! Quer o leitor acredite, quer não…
Uma força daquelas, nas mãos de certos políticos, deve ter um poder descomunal e levar milhões de pessoas a pensar o que eles querem que se pense…
E já tenho pensado que talvez eu possua um pouquinho daquelas “ondas”, e me estar a servir delas, para cativar tantas pessoas simpáticas com os meus escritos, mesmo sem dar por isso ? E talvez até já estivesse a hipnotizar o padre que me convidou a estudar teologia…ou a sentir-me tão atraído por meus avós… ou por aquele piloto instrutor de helicópteros, me largar os comandos, ainda com o aparelho a meio metro do solo…eu sei lá o que pensar desta rocambolesca vida que tenho vindo descrevendo neste blog, desde há anos…
Será que tenho um pouquinho dessa admirável virtude de encontrar e transmitir amor e carinho em tanta gente ? Só o meu leitor o saberá.