Tuesday, October 31, 2006

A MAGIA DA VIDA

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Quando uma pessoa começa a chegar ao fim da sua vida, e ainda se encontra lúcida, como felizmente é o meu caso, ao olhar para trás, relembra um montão de coisas que se fez ou devia ter feito ou talvez ainda possa fazer, e com uma saudade e vontade imensa.

Relembra-se do bom e mau por que passou, e há bocados da vida passada, que até bem gostaríamos de poder apagar para o sempre, mas que estão tão arraigados no fundo do nosso cérebro, que é escusado…estão lá para sempre…

Vem à memória os dias na nossa juventude, até o nome do nosso primeiro professor, (no meu caso o Sr.Santos), de instrução primária, as matérias de que tanto gostávamos de aprender, ( no meu caso as redacções e os desenhos) e aquelas que tanto abominávamos… A nossa escola e o ambiente que lá se vivia, alguns amigos com quem bricámos centenas de vezes, os disparates que fizemos, o nosso primeiro encanto pelo sexo oposto, (no meu caso uma linda garota loira e filha dum faroleiro da minha terra) as reprimendas e puxões de orelhas que levámos, tanto dos nossos pais como professores, para nos chamarem à atenção, aqueles versos que tínhamos de decorar para representar no Primeiro de Dezembro, e o som das palmas do publico que gritava BIS, BIS, e que nós, envergonhados em cima do palanque, voltávamos a recitar no nosso melhor, ( uma vez, recitando PORTUGAL, até tive de repetir 3 vezes…) aqueles brinquedos do Natal, que eram feitos pelas mãos dos nossos pais e avós, que se refugiavam num quarto à laia de oficina os saquinhos de guloseimas que apareciam no chão, em frente à árvore de Natal …etc.etc.

Relembramos com intensidade as nossas primeiras engenhocas e experiências, às vezes bastante perigosas… a alegria de termos podido realizar por nossas mãos, algo a que nos dedicámos com tanto interesse, as nossas aventuras por terrenos desconhecidos pelo campo, o vermos os estorninhos à procura das lagartas que iam aparecendo atrás dos arados, a alegria de podermos abraçar um animal querido e simpático, a aflição dos preparativos para os exames escolares, o receber por empréstimo, aquela caneta de tinta permanente que a minha avó só emprestava para as escritas do exame e acrescentando que todos os que a tinham usado, tinham passado brilhantemente… a primeira vez que os nossos pais apreciaram a nossa ajuda e o mostram com carinho, e nos deixarem pensar pelas nossas ingénuas cabecinhas… tudo isto, visto à distância de 80 anos, tem a sua magia !

Quando mais tarde vamos evoluindo e encontrando os pedregulhos que sempre teimam em colocar-se à nossa frente, mesmo com algumas esfoladelas dolorosas nos joelhos, acabamos por sentir que algo se aprendeu, e até valeu a pena.

Mais tarde, já gente grande, e depois de muitos solavancos, até com a perda de familiares que desejávamos conservar para sempre…aprendemos o quanto é bom ter-se sobrevivido a estes solavancos e até aproveitar deles os seus ensinamentos.  E estamos sempre a aprender, todos os dias, mais qualquer coisa… porque a vida está cheia de coisas e pessoas interessantes para conhecer, amar e admirar.

Como é bom encontrarmos pessoas que nos estimam e estimulam a continuar as nossas “lutas”, e amigos que se conservam dezenas e dezenas de anos, alguns há mais de 50, sempre com uma abraço disponível e um sorriso aberto de estima !

Dizia um filósofo que “não tinha pena de recordar disparates que tinha feito em criança, mas o já não os poder fazer aos setenta anos…”.

A INTERNET veio facilitar imenso o encontramos A MAGIA DA VIDA.

 

Posted by Engenhocando at 10:25:14
Comments

One Response to “A MAGIA DA VIDA”

  1. Sílvio Leiria says:

    Caro Mário, esta sua prosa é um belissimo poema! Gostei muito.

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